quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Capítulo 13 - DP

       Amanhã tenho prova de DP e ainda estou acordada. Não, não estou estudando. Estou perdendo meu tempo no facebook, mas não me preparando para a prova de amanhã. Engraçado como nós somos: Quando a disciplina é super difícil estudamos noites insones, reclamamos, choramos, renunciamos veemente o lazer e o descanso, mas fazemos de tudo para nos sairmos bem. Quando o assunto parece ser pouco menos relevante, tornamo-nos um pouco arrogantes e deixamos de lado.
       No fundo, acho que somos todos meio masoquistas. Afinal, valorizamos os professores que mais nos ignoram, damos atenção especial ao conteúdo que mais nos castiga e futuramente procuraremos o número de empregos necessários para obtermos o máximo de dinheiro possível. Muito triste, não? E pior ainda que a prova de DP tenha me levado a tais conclusões! Ah, mas deixando as piadinhas de lado, é isso mesmo, a disciplina é Desenvlvimento Pessoal e tem exatamente esse papel de nos levar a refletir sobre a construção do nosso "eu" profissional.
        Mesmo quem não tem essa disciplina, pelo menos não com esse nome, sabe que há aqueles assuntos aparentemente bobos e indignos de nossa atenção. Entretanto, se você parar um pouco e refletir, verá que o blá-blá-blá do professor não é em vão. Alguma coisa você aprende, nem que seja a criticar a existência da disciplina na grade curricular.
        Por isso, fazendo jus ao que eu mesma escrevi e depreendi, me despeço agora dos meus silenciosos leitores e vou ler o conteúdo da prova de amanhã, que parece bobo e fácil, mas assim como anatomia, fisiologia, histologia e outras "ias", merecem meu respeito e dedicação!

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Capítulo 12 - E agora, doutor?

     - Eu tou doente! Eu vou morrer, tu não entendeu ainda?
       Essa foi a frase que me pegou ontem, de manhã, na calçada do hospital universitário. Uma mulher desvairada gritava isso para uma outra mulher, provavelmente sua parente que acompanhava a consulta. A frase ecoou na minha cabeça o resto do dia e eu me pergunto se algum dia vou aprender a lidar com isso. Ou será que a faculdade irá me enrijecer e daqui a alguns anos nem vou me importar com esse tipo de situação? Espero que não, pois mesmo sentindo o coração dilacerado diante de uma cena dessas, ainda é preferível essa minha pequena dor à imensa angústia de um paciente que ouve alguém frio e inerte dizer que não há mais jeito.
        Mas não desejar tornar-me fria é aceitar um martírio que me seguirá durante toda a vida? Preciso mesmo desse escudo para exercer a profissão que escolhi? Penso que o pior martírio é ser vazio e incapaz de transmitir qualquer coisa de bom a alguém. De forma alguma quero abraçar e chorar com um paciente para lamentar seu estado, mas desejo tornar-me uma fonte de segurança e serenidade, para que ele saiba que farei tudo que estiver ao meu alcance para ajudá-lo.
       Então o grande desafio é aprender a administrar as emoções sem perder a sensibilidade. Parece que achei o ponto, mas quanta dificuldade há nisso! Entretanto, acredito que registrando isso e internalizando a cada dia, talvez fique muito mais difícil esquecer a missão. Afinal, é possível sim fazer a diferença e tornar o seu mundo um lugar melhor para viver. Cada pessoa tem o seu propósito de vida e de alguma forma incrível nos encaixamos em diferentes lugares, então aquela velha história de "faça a sua parte" continua valendo. E se a minha parte, enquanto estudante, é preparar-me intelectualmente e psicologicamente para ajudar pessoas, é isso o que eu vou fazer.


"Um amigo chamou-me para aliviar sua dor. Guardei a minha no bolso e fui."
Clarice Lispector

Capítulo 11 - Aborto e Ponto de Vista

        Nossa, um título polêmico, começamos bem o post! É óbvio que eu sabia que esse tema surgiria no meio desse módulo de Gênese e Desenvolvimento, mas não imaginava que viesse com tanta força. A questão é que a coordenadora do módulo é radicalmente contra o aborto e quer impor isso a todos os alunos. Se ela ao menos embasasse seus argumentos na ciência, vá lá, mas ela quer empurrar goela abaixo e pronto.
       Aos que são contra o aborto, calma, não estou defendendo essa prática de modo algum. Pelo contrário, sou contra o aborto seja qual fase da gestação esteja ocorrendo, pois acredito sim que a vida começa na fecundação. Gametas isolados são apenas células, mas quando se unem e misturam seu material genético, tornam-se em potencial para geração de uma vida. Por isso, para mim, interromper esse processo é sim interromper a vida. Então, se sou totalmente contra o aborto, porque me incomoda a atitude da professora?
      Vocês repararam que acabei de explicar POR QUE considero o aborto uma prática ofensiva? Pois é, a professora nem pára para pensar que todo semestre ela lida com dezenas de pessoas que pensam e que não aceitam facilmente seu ponto de vista. Se ela se detivesse em explicar sua posição, talvez ela até convencesse algumas pessoas que antes não pensavam como ela. Mas ao impor sua opinião sem respeitar os demais, ela perde o respeito de muitos.
      -Vocês fizeram vestibular pra cuidar de gente ou pra matar gente?
        Essa frase me chocou profundamente, pois pressionou terrivelmente e deixou um clima pesado na sala. Oferecer meio ponto aos que participaram da "Marcha pela vida" também. Sim, eu ficaria feliz se as pessoas parassem de banalizar a vida, o  ato sexual e as crianças, mas não posso colocá-las contra a parede ou suborná-las com alguns escores na média. Todos têm o direito de permanecer ou mudar sua opinião, mas o processo todo depende do que se vai ouvir e das experiências que se vão viver. Nossa professora fala muito de dignidade de vida, mas esquece que isso também engloba o direito de criticar posições e tirar suas próprias conclusões. Dignidade de vida é também poder se expressar livremente e não sofrer retaliação por isso.
       Então para sintetizar, enfatizo:
Sou totalmente contra o aborto. 
Respeito opiniões contrárias e desejo que respeitem a minha.
Infelizmente os universitários ainda são visto por alguns como meras esponjas que apenas têm de absorver informação e não possuem nada para compartilhar. 
Diga sim à vida, mas porque você quer e não porque vai ganhar pontuação extra. 
Exija sua liberdade de se expressar e transforme sua Universidade em um lugar mais democrático.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Capítulo 10 - O Retorno

          Queridos leitores, sei que sumi, mas também não recebi nenhuma reclamação quanto ao sumiço. Creio que me sinto tão decepcionada quanto Jânio Quadros quando renunciou a presidência da república. O coitado saiu "por forças maiores" e ficou esperando eternamente para voltar nos braços do povo. Pois então, não esperei vocês reivindicarem minha volta e vim por meus próprios braços e vontade.
          O motivo da minha ausência foi um problema de internet, além de um módulo muito, muito chato de Biologia Celular e Molecular. Mas a nossa vida é isso mesmo, nem tudo são flores nem só espinhos. Mesmo dentro do módulo chato tivemos aulas fantásticas de Genética Clínica, nosso primeiro contato com o Hospital Universitário e mesmo entre as aulas de Bioquímica houveram algumas bem legais. O fato é que não obstante as aulas boas, cheguei ao fim do módulo bem cansada e louca para me ver livre! Mas, como até postei no facebook, módulo novo - vida nova. Aliás, literalmente VIDA NOVA! Vamos que vamos com Embriologia e algumas polêmicas que comentarei no próximo post só pra não misturar com o retorno aqui!
          Mas nas últimas duas semanas, apesar do cansaço, inúmeros acontecimentos me levaram a uma conclusão que compartilho aqui com vocês: Todo curso exige muito de nós, principalmente os integrais que parecem nos exaurir. Mesmo assim, não deixemos de fazer o que gostamos nem de cultivar escapes e hobbys. A faculdade deve ser um meio de alcançar nossa realização e não nossa morte em vida. Somos flexíveis, somos adaptáveis, não nos deixemos consumir!

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Capítulo 9

        Meus queridos leitores anônimos que nunca comentam nada de nada nesse blog, ontem vocês iam me perdendo pra sempre! Quase tive minha jornada acadêmica interrompida prematuramente e bestamente. Não entendeu nada? Explico.
       Ontem, fomos à tarde visitar o Projeto 4 Varas, no Pirambu, um projeto bem legal de Terapia Comunitária. Eu quase reaxei, mas meu olho estava no relógio porque tinha de estar no laboratório às 16h. Deixei até um bilhete explicando que talvez chegaria um pouco atrasada e que fossem iniciando sem mim, mas a responsabilidade do experimento era minha e eu fiquei muito preocupada. Tudo maravilhosamente, a terapia encerra e quando reparo que às 15:56 eu ainda estou no 4 varas quando já deveria estar na UFC meu coração sobe até a boca. Fiquei dando uma de chata, apressando todo mundo até que finalmente saímos de lá e estacionamos na Costa Mendes exatamente às 16:42h. Como estava mega apressada, fui atravessando a rua do jeito que dava e nessa marmota escuto uma buzina beem alta e o calor do pneu da moto a milímetros de mim!
      Nem pensei em nada, saí correndoo de medo, vergonha de alguém ter visto a cena, susto... E muitos minutos depois foi que recuperei o fôlego e eu me pergunto: Porque eu não esperei 3 minutinhos antes de atravessar essa bendita avenida? 3 minutos não colocariam o projeto a perder, até porque haviam outras pessoas no laboratório que já estavam iniciando o experimento quando cheguei. E se eu tivesse me machucado seriamente? Já imaginou quantos transtornos? Principalmente agora que as aulas estão iniciando? Que situação... Agora nem que os ratos peguem fogo eu saio correndo sem pensar!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Capítulo 8

        Minha geeeeeeeeeeeeeeeeeeente, Semana de Recepção dos Calouros na FAMED! Mesmo já conhecendo isso aqui como a palma da minha mão, agora é oficial, do jeitinho que eu sempre quis. Meu Deus! Estudar com 79 pessoas não vai ser fácil! Quando será que vou decorar o nome de todo mundo? Será que vou me dar bem com todos? Tchã-tchã-tchã.... Material para os próximos capítulos...
        Aqui no laboratório as coisas estão tranquilas. Depois de alguns dias de treinamento com os aspirantes a ICs(futuros ECs), tenho de marcar uma reunião para ver quem fica e quem sai, quem permanece nesse projeto e quem vai ser remanejado para outros. Só sei que um eu faço questão de "demitir": o que se atreveu a dançar É O TCHÃ em público nas apresentações de hoje. Esse tá mais que fora! kkkkkkkkk Quê que há? Isso é um laboratório de respeito! Já passei aqui depois do almoço para inspecionar os ratinhos e ver se estava tudo bem. Todos estão limpinhos, saudáveis e alimentados. Amém.
         Enfim, vou voltar aqui pra minha Semana, vou curtir que agora eu sou Bichete da Medicina com muito orgulho e amor!

domingo, 16 de setembro de 2012

Capítulo 7

       Acabei de chegar do laboratório. "De novo, Larissa? Em pleno domingo?" Sim, de novo e novamente por muitos domingos ainda. Hoje o que me surpreendeu, divertiu, mas também me deu pena foi a cara de sono do Chefinho pela manhã. Havíamos combinado de nos encontramos ele, Elana e eu para operarmos os ratinhos do grupo 2. Cheguei um pouquiiiinho atrasada, como sempre, e Elana já tinha organizado quase tudo, o Chefinho estava tomando café e começamos o procedimento.
        Papo vai, papo vem, pesa os bichinhos, anestesia, fixa, corta, limpa, fura e... Cadê o Chefe? Coitadinho: Dormindo em cima da mesa do computador! Ficamos morrendo de pena e deixamos ele descansar. Aí o bichinho da maldade fica coçando até nos iluminar com uma ideia: Tirar uma foto dele naquela situação. Pé ante pé entrei na sala pra pegar o celular. Consigo, coloco na câmera, entro na sala de novo bem devagarinho, tiro a foto e um CLIC super alto ecoa na sala! Droga, tinha esquecido de tirar o som da câmera! O pobre do chefinho acorda tão zonzo que acho que ele nem percebeu que despertou sendo fotografado. Além da adrenalina de ter saído correndo, ainda fiquei com dó de ter acordado ele. O coitado veio com mil desculpas por naõ estar ajudando e a gente disse que ele podia ir pra casa descansar.
         O que eu vejo nisso tudo, fora a situação constrangedora, é que a cobrança que temos quando alunos é um preparo para a cobrança a que estaremos sujeitos quando profissionais. Se é estressante para nós, imagine parao Chefinho que dá plantões em urgência/emergência, leciona na Universidade e tem ainda de se dedicar ao doutorado. Conclusão: Não está fácil pra ninguém. Uma vez que entramos nessa maratona, temos de aprender a correr cada vez mais rápido.