sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Capítulo 9

        Meus queridos leitores anônimos que nunca comentam nada de nada nesse blog, ontem vocês iam me perdendo pra sempre! Quase tive minha jornada acadêmica interrompida prematuramente e bestamente. Não entendeu nada? Explico.
       Ontem, fomos à tarde visitar o Projeto 4 Varas, no Pirambu, um projeto bem legal de Terapia Comunitária. Eu quase reaxei, mas meu olho estava no relógio porque tinha de estar no laboratório às 16h. Deixei até um bilhete explicando que talvez chegaria um pouco atrasada e que fossem iniciando sem mim, mas a responsabilidade do experimento era minha e eu fiquei muito preocupada. Tudo maravilhosamente, a terapia encerra e quando reparo que às 15:56 eu ainda estou no 4 varas quando já deveria estar na UFC meu coração sobe até a boca. Fiquei dando uma de chata, apressando todo mundo até que finalmente saímos de lá e estacionamos na Costa Mendes exatamente às 16:42h. Como estava mega apressada, fui atravessando a rua do jeito que dava e nessa marmota escuto uma buzina beem alta e o calor do pneu da moto a milímetros de mim!
      Nem pensei em nada, saí correndoo de medo, vergonha de alguém ter visto a cena, susto... E muitos minutos depois foi que recuperei o fôlego e eu me pergunto: Porque eu não esperei 3 minutinhos antes de atravessar essa bendita avenida? 3 minutos não colocariam o projeto a perder, até porque haviam outras pessoas no laboratório que já estavam iniciando o experimento quando cheguei. E se eu tivesse me machucado seriamente? Já imaginou quantos transtornos? Principalmente agora que as aulas estão iniciando? Que situação... Agora nem que os ratos peguem fogo eu saio correndo sem pensar!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Capítulo 8

        Minha geeeeeeeeeeeeeeeeeeente, Semana de Recepção dos Calouros na FAMED! Mesmo já conhecendo isso aqui como a palma da minha mão, agora é oficial, do jeitinho que eu sempre quis. Meu Deus! Estudar com 79 pessoas não vai ser fácil! Quando será que vou decorar o nome de todo mundo? Será que vou me dar bem com todos? Tchã-tchã-tchã.... Material para os próximos capítulos...
        Aqui no laboratório as coisas estão tranquilas. Depois de alguns dias de treinamento com os aspirantes a ICs(futuros ECs), tenho de marcar uma reunião para ver quem fica e quem sai, quem permanece nesse projeto e quem vai ser remanejado para outros. Só sei que um eu faço questão de "demitir": o que se atreveu a dançar É O TCHÃ em público nas apresentações de hoje. Esse tá mais que fora! kkkkkkkkk Quê que há? Isso é um laboratório de respeito! Já passei aqui depois do almoço para inspecionar os ratinhos e ver se estava tudo bem. Todos estão limpinhos, saudáveis e alimentados. Amém.
         Enfim, vou voltar aqui pra minha Semana, vou curtir que agora eu sou Bichete da Medicina com muito orgulho e amor!

domingo, 16 de setembro de 2012

Capítulo 7

       Acabei de chegar do laboratório. "De novo, Larissa? Em pleno domingo?" Sim, de novo e novamente por muitos domingos ainda. Hoje o que me surpreendeu, divertiu, mas também me deu pena foi a cara de sono do Chefinho pela manhã. Havíamos combinado de nos encontramos ele, Elana e eu para operarmos os ratinhos do grupo 2. Cheguei um pouquiiiinho atrasada, como sempre, e Elana já tinha organizado quase tudo, o Chefinho estava tomando café e começamos o procedimento.
        Papo vai, papo vem, pesa os bichinhos, anestesia, fixa, corta, limpa, fura e... Cadê o Chefe? Coitadinho: Dormindo em cima da mesa do computador! Ficamos morrendo de pena e deixamos ele descansar. Aí o bichinho da maldade fica coçando até nos iluminar com uma ideia: Tirar uma foto dele naquela situação. Pé ante pé entrei na sala pra pegar o celular. Consigo, coloco na câmera, entro na sala de novo bem devagarinho, tiro a foto e um CLIC super alto ecoa na sala! Droga, tinha esquecido de tirar o som da câmera! O pobre do chefinho acorda tão zonzo que acho que ele nem percebeu que despertou sendo fotografado. Além da adrenalina de ter saído correndo, ainda fiquei com dó de ter acordado ele. O coitado veio com mil desculpas por naõ estar ajudando e a gente disse que ele podia ir pra casa descansar.
         O que eu vejo nisso tudo, fora a situação constrangedora, é que a cobrança que temos quando alunos é um preparo para a cobrança a que estaremos sujeitos quando profissionais. Se é estressante para nós, imagine parao Chefinho que dá plantões em urgência/emergência, leciona na Universidade e tem ainda de se dedicar ao doutorado. Conclusão: Não está fácil pra ninguém. Uma vez que entramos nessa maratona, temos de aprender a correr cada vez mais rápido.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Capítulo 6

        Aaaaaahhhhh, que felicidade! O projeto no laboratório está caminhando bem, estamos superando os probleminahs que surgiram, inclusive da falta de ICs! Consegui arrebanhar 10 candidatos para nos ajudar na empreitada científica. Claro que não posso colocar esse povo todo dentro do projeto, mas vamos conseguir uma boa ajuda.
      Amanhã reunião com esse pessoal, expor a situação, ver quem arrega e selecionar o grupo. Na próxima semana um intensivo de treinamentos e a chance de fazer muitas maldades com os novatos! Muahuahuahuahua... Brincadeirinha! Estou torcendo pra que esses meninos venham com vontade e se apaixonem pelo projeto, isso vai otimizar bastante as coisas!
       Desde agora, dedinhos cruzados e muitas preces para que Deus ilumine a nós todos! ;D

sábado, 8 de setembro de 2012

Capítulo 5 (Uma coisa séria, hoje)

      Desde quinta eu estou participando do XVIII Encontro Regional dos Estudantes de Medicina. Tirando alguns probleminhas como a desorganização do evento, minha timidez absurda e o fato de eu estar sozinha lá, tem sido muito enriquecedor, embora revoltante.
       Não me considerava, até quinta, uma pessoa alienada dos problemas referentes a educação e à saúde, mas o EREM veio como um raio na minha cabeça! Palestras recheadas de esclarecimentos políticos e muita indignação me fizeram refletir sobre o caos que estamos vivendo, acreditando que está tudo bem. Uma palavra era constantemente repetida nos debates: PRECARIZAÇÃO. O público tem sido precarizado, sucateado, para acreditarmos que o privado é melhor. Falou-se muito também sobre um "SUS público e estatal". Por um momento podemos pensar: "Oxente, e o que é do Estado não é público?" Atualmente, não. E esse é apenas um dos muitos conceitos que precisam ser redefinidos. Do jeito que o trem anda, o limite entre público e particular já não existe, nosso SUS está sendo entregue a empresas bem diante dos nossos olhos.
         A constituição já dizia que a rede particular poderia complementar a pública de forma não lucrativa. Só que esse é o maior paradoxo do mundo! Como bem discutimos no Encontro, uma empresa privada não faz absolutamente nada sem lucros. Isso é totalmente contra o princípio capitalista. Então eu me pergunto: O que essas empresas  ganham para administrar o que é nosso? Porque o governo paga a elas ao invés de usar esse dinheiro para gerir o SUS? Engraçado que eles colocam nomes bonitos como "Organização Social", "Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares"... Tudo balela! Não passa de um grande mercado onde o que está em jogo é a saúde da população e no nosso caso, universitários, nossa aprendizagem!
         Estamos ficando sem campo de estágio, pois se não pagamos não temos direito a aprender. E onde está o "a educação é direito de todos"? Parece que está faltando um pedacinho: "educação é direito de todos que pagam". Tenho a impressão de que tudo que foi conquistado no passado está sendo roubado de nós. E vamos deixar que isso aconteça? O descaso é tão grande da parte da população e dos próprios estudantes, que participamos do processo passivamente, "É só isso, não tem jeito, acabou. Boa sorte"!
           Vamos acordar, gente, vamos reagir! Do contrário, qualquer dia, antes que percebamos, estaremos imersos em uma nova ditadura, sem vez e sem voz!
            Perguntinha boba: Domingo é dia de que? Praia? Solzão? Almoçar com família/amigos? Nada disso! Universitário tem que estudar pra prova, preparar seminário e quando está em greve tem que ir ao laboratório trabalhar! Pois é, meus caros, domingão e nós, reles ECs, operando ratinhos! Até almoço a gente levou de casa pra não perder tempo indo atrás de restaurante.