Desde quinta eu estou participando do XVIII Encontro Regional dos Estudantes de Medicina. Tirando alguns probleminhas como a desorganização do evento, minha timidez absurda e o fato de eu estar sozinha lá, tem sido muito enriquecedor, embora revoltante.
Não me considerava, até quinta, uma pessoa alienada dos problemas referentes a educação e à saúde, mas o EREM veio como um raio na minha cabeça! Palestras recheadas de esclarecimentos políticos e muita indignação me fizeram refletir sobre o caos que estamos vivendo, acreditando que está tudo bem. Uma palavra era constantemente repetida nos debates: PRECARIZAÇÃO. O público tem sido precarizado, sucateado, para acreditarmos que o privado é melhor. Falou-se muito também sobre um "SUS público e estatal". Por um momento podemos pensar: "Oxente, e o que é do Estado não é público?" Atualmente, não. E esse é apenas um dos muitos conceitos que precisam ser redefinidos. Do jeito que o trem anda, o limite entre público e particular já não existe, nosso SUS está sendo entregue a empresas bem diante dos nossos olhos.
A constituição já dizia que a rede particular poderia complementar a pública de forma não lucrativa. Só que esse é o maior paradoxo do mundo! Como bem discutimos no Encontro, uma empresa privada não faz absolutamente nada sem lucros. Isso é totalmente contra o princípio capitalista. Então eu me pergunto: O que essas empresas ganham para administrar o que é nosso? Porque o governo paga a elas ao invés de usar esse dinheiro para gerir o SUS? Engraçado que eles colocam nomes bonitos como "Organização Social", "Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares"... Tudo balela! Não passa de um grande mercado onde o que está em jogo é a saúde da população e no nosso caso, universitários, nossa aprendizagem!
Estamos ficando sem campo de estágio, pois se não pagamos não temos direito a aprender. E onde está o "a educação é direito de todos"? Parece que está faltando um pedacinho: "educação é direito de todos que pagam". Tenho a impressão de que tudo que foi conquistado no passado está sendo roubado de nós. E vamos deixar que isso aconteça? O descaso é tão grande da parte da população e dos próprios estudantes, que participamos do processo passivamente, "É só isso, não tem jeito, acabou. Boa sorte"!
Vamos acordar, gente, vamos reagir! Do contrário, qualquer dia, antes que percebamos, estaremos imersos em uma nova ditadura, sem vez e sem voz!
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